
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Exausto
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Adélia Prado
sábado, 22 de agosto de 2009
tal filha
meus olhos desenham
posso ver os meus sonhos
brincadeiras
rostos risonhos
nuvens me dão pensamentos
coitada de mim
quando vem o vento
Julia Rezende
dez 2007
domingo, 9 de agosto de 2009
"Leva-se muito tempo para ser jovem"
Quando leio o convite para comemorar este aniversário de 80 anos, penso nesta frase que o acompanha, frase cada vez mais compreensível pra mim, daqui donde estou, na metade deste caminho, e fico me perguntando sobre o tempo, sobre quanto tempo será preciso para nascer um outro homem como este.
Homem que vive e vence as barreiras do tempo. Passa-se 40, 50, ... 80 anos e ele não se cansa das novidades do mundo. Prestigia o avanço das ciências, acompanha atento a trajetória política do seu país, rende-se às novas tecnologias e para seu entretenimento, grava horas e horas de belas imagens e belas músicas para compartilhar com tantos quantos cheguem à ele. Isso sem dispensar o descanso de uma simples rede, notícias do bom rádio de pilha e outras tantas horas de conversa em torno da mesa.
Ouvindo-o, você pode imaginar que a vida noutro tempo, tinha diferentes sabores. E sairá desconfiado de que a vida tinha mais tempo ou as pessoas tinham mais tempo para a vida. Desconfio que pode estar aí o segredo desta vida longeva e feliz: dedicação de tempo à vida. Porque este homem de 80 anos reúne muitas histórias: histórias de aventuras, de infância religiosa, de curas milagrosas, roupas de alfaiataria, de vida nômade entre Sergipe e Bahia, de amor intenso, histórias de tanto tempo e lugares.
Histórias que fizeram dele uma pessoa de alma leve, de generosidade ímpar, com mania de ser feliz e fazer feliz os que lhe rodeiam. Com ele tem-se a nítida impressão que estamos, enfim, em "Tempos Modernos", tempo de "gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não".
Ele tem bons filhos, esta que parece ser sua principal missão na vida. E todos os seus filhos são bons, e talvez também seja esta sua maior alegria. E ainda que assim sejam, conhecendo um deles, conhece-se apenas a sétima parte de toda a bondade deste pai; a parte justa e bem dividida desta herança. Assim se pode definir a natureza deste homem, de 80 anos, sete filhos e tantas histórias; um bom homem, um homem nascido para o bem.
Um escrito num cartão de aniversário não cabe pra dizer de tanto amor e dedicação que ele merece. Por isso se escolhe fazer uma festa, com gente querida em volta, na mesma sintonia: agradecer por termos incluído a nossa vida na dele e, sobretudo, a vida dele em nossas vidas.
Comemoremos, porque leva-se muito tempo pra nascer um homem assim.
Lilia,
Rezende com alegria
domingo, 2 de agosto de 2009
alva trança
No trânsito, num relance, vi passar na carona de uma moto uma senhora de trança longa e alva, essa cor rara em cabelos desde a invenção do Crecin2000. A trança foi o que primeiro eu reparei. Ela saía do capacete, tranquila, querendo confirmar que ali estava uma senhora leve, de roupa colorida, com coragem até pra driblar carros, quiçá para usar trança alva!
Na hora pensei:"menina de trança, não é mais criança... " "senhora de trança, alma de criança".
sábado, 1 de agosto de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
cena de rua
- Eu sou muito seletivo!
Vinha de um homem, diante de uma banca de cds e dvds piratas, escolhendo alguns para aquisição.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Saramago

"...Estranha relação é a que temos com as palavras.
Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos.
Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos ideias muito vagas e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tacteamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, nos encontrando..."
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Mulherices

Como não gostar de mulheres, sendo afilhada de Judith, ela que também cresceu em ambiente feminino, cercada pela voz rigorosa e católica de seu pai, único homem da família. Nenhuma regra lhe calou o gosto pela arte, a "ousadia" de tocar violão, a intensa alegria nos velhos carnavais, o gosto pela música (...pelas filarmônicas !), pela poesia e pela política que vivia espontaneamente numa Igreja ou numa Prefeitura?
Como não gostar de mulheres e mulherices, sendo filha de Onélia, da letra bordada, de tecidos bordados, alguns cerzidos, de mãos prendadas, olhar exigente e sensível, como é o de (quase) toda libriana? Há maior mulherice que fazer curso de corte&costura, aulas de culinária, ler figurinos e frequentar "modista"? Isso tudo a minha mãe fazia.
Sou de uma família de muitas mulheres e tenho quatro irmãs. Até hoje nossos pais se referem a nós como "as meninas" e a gente rejuvenesce a cada chamado deles. Nós, as "cincas" da minha casa, adoramos mulheres e mulherices e gostamos tanto que adotamos irmãs na vida. Tenho irmãs escolhidas!
Lília Rezende

