sábado, 25 de julho de 2009

cena de rua

Manhã de sábado, numa transversal da avenida sete, próxima ao relógio de são pedro, ouve-se uma categórica afirmação:

- Eu sou muito seletivo!

Vinha de um homem, diante de uma banca de cds e dvds piratas, escolhendo alguns para aquisição.

Idade


Eu já nasci com saudade.

Lilia

segunda-feira, 20 de julho de 2009

"Com sonhos
Sem tempo
Com sono
Sem repouso
Com (ida)
Sem fome
Com saudade
Sem irmãos
Com vontades
Sem perdão
Com (bustível)
Sem destino
Com idade
Sem juízo"

domingo, 19 de julho de 2009

Saramago



"...Estranha relação é a que temos com as palavras.

Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos.

Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos ideias muito vagas e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tacteamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, nos encontrando..."

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mulherices


Há quem não goste de mulheres ou de grupo de mulheres. Eu adoro mulheres e suas mulherices... adoro!!! Imagina como seria não gostar de mulheres sendo de uma casa onde nasceram apenas meninas, quase todas trazidas pelas mãos de uma parteira, mãe Theodora...




Como não gostar de mulheres, sendo neta de Julia e Joana, mulheres fortes que muitos anos atrás, em tempos mais difíceis, pela viuvez precoce ou por escolha corajosa, foram capazes de cuidar da extensa família, sem perder a fé na vida ou mesmo a delicadeza que nelas se assistia?

Como não gostar de mulheres, sendo afilhada de Judith, ela que também cresceu em ambiente feminino, cercada pela voz rigorosa e católica de seu pai, único homem da família. Nenhuma regra lhe calou o gosto pela arte, a "ousadia" de tocar violão, a intensa alegria nos velhos carnavais, o gosto pela música (...pelas filarmônicas !), pela poesia e pela política que vivia espontaneamente numa Igreja ou numa Prefeitura?


Como não gostar de mulheres e mulherices, sendo filha de Onélia, da letra bordada, de tecidos bordados, alguns cerzidos, de mãos prendadas, olhar exigente e sensível, como é o de (quase) toda libriana? Há maior mulherice que fazer curso de corte&costura, aulas de culinária, ler figurinos e frequentar "modista"? Isso tudo a minha mãe fazia.


Sou de uma família de muitas mulheres e tenho quatro irmãs. Até hoje nossos pais se referem a nós como "as meninas" e a gente rejuvenesce a cada chamado deles. Nós, as "cincas" da minha casa, adoramos mulheres e mulherices e gostamos tanto que adotamos irmãs na vida. Tenho irmãs escolhidas!


Lília Rezende



http://www.youtube.com/watch?v=dwVIvwGnfqg

eu escrevo
eu prometo